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Antes e depois da cirurgia

O que levar na primeira consulta com o ginecologista, o que anotar antes e o que perguntar

O que levar na primeira consulta de ginecologia: exames com laudo e data, uma anotação do que você sente e perguntas escritas. Veja como render a meia hora.

Retrato da Dra. Lorena Cerutti, médica ginecologista do Instituto de Ginecologia Avançada Dra. Lorena Cerutti MÉDICA: CRM-SP 219.409 · Ginecologista: RQE 124.944 Publicado em 15 de setembro de 2026
Revisado em 18 de setembro de 2026 · 11 min de leitura

A resposta

Na primeira consulta com o ginecologista, leve três coisas: documentos e exames, uma anotação sobre o que você sente e uma lista de perguntas. Com esse material, meia hora de consulta rende como uma hora, e a chance de sair com uma conduta definida, em vez de um pedido de retorno, aumenta muito.

A consulta ginecológica costuma vir com aquela sensação de que dá tempo de esquecer metade do que você queria dizer. Isso tem conserto, e o conserto é feito em casa, antes. Se a consulta tem como pano de fundo a possibilidade de uma cirurgia, o preparo importa ainda mais: é ele que decide se a decisão sai na primeira consulta ou na terceira.

Detalhes técnicos para profissionais da saúdeO mesmo assunto com os estudos, os números e as fontes

O que levar

O que levar Por que faz diferença
Documento com foto e carteirinha do plano Identificação e conferência da cobertura
Exames de imagem com laudo e data Sem laudo e sem data, o exame não sustenta conduta
Disco, link ou arquivo das imagens O laudo descreve, a imagem mostra
Resultados de laboratório recentes Evita repetir o que já foi feito
Resultado do último preventivo Define se você está no prazo de rastreamento
Lista de remédios com dose Inclui hormônio, suplemento e fitoterápico
Relatório de cirurgias anteriores A descrição do que foi feito muda a conduta de hoje
Registro de alergias Segurança em procedimento e em receita
Anotação dos sintomas O item que mais rende na consulta

O que anotar antes

Escreva com data. A memória de um sintoma muda conforme o dia, e anotação com data não muda.

Sobre a menstruação: quando começou o ciclo atual, quantos dias dura, de quanto em quanto tempo vem, se tem coágulo, quantos absorventes você usa por dia nos dias piores e se precisa trocar de madrugada. Descrever assim substitui palavras vagas como muito ou pouco, e é assim que a ginecologia mede sangramento.

Sobre a dor: onde dói, quando começou, se piora perto da menstruação, se piora na relação, se piora ao evacuar ou ao urinar, e de zero a dez quanto ela vale no pior dia. Quantos dias por mês você deixa de fazer alguma coisa por causa da dor.

Sobre a bexiga e o intestino: perda de urina ao tossir ou ao rir, urgência para chegar ao banheiro, quantas vezes você acorda à noite, prisão de ventre, esforço para evacuar.

Sobre a história: partos e como foram, cirurgias com o ano, doenças em acompanhamento, uso de anticoncepcional, tentativa de gravidez em andamento e casos de câncer em parentes de primeiro grau.

Um detalhe simples aumenta muito o rendimento da anotação: registre o que já tentou e o que aconteceu. Anticoncepcional que causou efeito indesejado, analgésico que deixou de funcionar, fisioterapia interrompida no meio. Tratamento tentado e abandonado é informação clínica, não é falha sua, e sem ele a conduta seguinte costuma repetir o que já não deu certo.

O que perguntar

Cinco perguntas cabem em qualquer consulta ginecológica e valem para qualquer diagnóstico.

O que eu tenho, com nome. Qual exame confirma isso, e em quanto tempo. Quais são as opções de tratamento, inclusive a de não tratar agora. O que acontece se eu não fizer nada nos próximos seis meses. E, se houver procedimento, o que eu vou sentir durante.

Essa última mudou de estatuto nos últimos anos. A conversa sobre dor passou a ser tratada como parte do procedimento, e não como detalhe. Perguntar o que você vai sentir e quais opções de analgesia existem é pergunta esperada.

Quando a consulta é para decidir cirurgia

Quando já existe um diagnóstico e a conversa é sobre operar, acrescente ao preparo o histórico do que já foi tentado sem cirurgia, com nome do remédio, dose e duração. Esse é o dado que costuma faltar e é justamente o que sustenta a indicação.

Acrescente também as perguntas de decisão: por qual via, quanto tempo de recuperação, quantos dias de atestado, o que acontece se voltar.

O que você pode pedir e costuma esquecer

Três documentos valem ser lembrados na hora de sair da sala.

O atestado médico é parte da consulta, e o fornecimento é direito seu, sem cobrança à parte. Existe também a declaração de comparecimento, para quem precisa justificar a ausência sem ficar afastada. E existe o relatório médico, que é o documento a pedir quando você vai levar o caso a outro profissional ou ao plano de saúde.

Sobre o diagnóstico escrito no papel: ele só entra por exigência legal ou a seu pedido. Você decide o que o seu empregador vai ler.

Perguntas frequentes

Posso ir menstruada na consulta?

Pode, e às vezes é melhor: quem tem sangramento intenso permite avaliar o quadro no dia em que ele acontece. Para coletar o preventivo, costumamos preferir fora do período menstrual.

Preciso fazer depilação ou algum preparo íntimo?

Não. Nada disso muda o exame nem a conduta.

Posso ir acompanhada?

Pode, e você escolhe se o acompanhante entra na sala ou aguarda. Diga isso na recepção.

Meus exames antigos servem?

Servem para mostrar a evolução, e por isso vale levar até os antigos. Para sustentar uma indicação cirúrgica, o exame de imagem precisa ser recente, porque mioma, pólipo e cisto mudam de tamanho.

Como descrevo meu sangramento sem parecer exagero?

Em número: dias de sangramento, absorventes por dia, presença de coágulo e troca de madrugada.

Vou precisar de ultrassom no mesmo dia?

Depende do que a consulta encontrar. Quando o assunto é dor pélvica ou suspeita de endometriose, a imagem tem preparo próprio e costuma ser agendada.

Tenho vergonha de contar algumas coisas. Como faço?

Escreva no papel e entregue. Perda de urina, dor na relação e sangramento depois do sexo são queixas frequentes, e ninguém as ouve pela primeira vez.

Quanto tempo dura a primeira consulta?

O suficiente para história, exame e conduta. Chegar com a anotação pronta é o que mais aproveita esse tempo.

A partir daqui, a versão completa

O mesmo assunto com os estudos, os números e as fontes, para quem quer o detalhe. Cada seção tem link de volta para o resumo acima.

A resposta direta

Sabemos que a consulta ginecológica costuma vir com a sensação de que dá tempo de esquecer metade do que você queria dizer. Isso tem conserto, e o conserto é feito em casa, antes.

Leve três coisas: documentos e exames, uma anotação sobre o que você sente e uma lista de perguntas. Com esse material, uma consulta de trinta minutos rende como uma de uma hora, e a chance de sair com uma conduta definida, em vez de um pedido de retorno, aumenta muito.

Se a consulta tem como pano de fundo a possibilidade de cirurgia, o preparo importa ainda mais: é ele que decide se a decisão sai na primeira consulta ou na terceira.

O que levar

O que levar Por que faz diferença
Documento com foto e carteirinha do plano Identificação e conferência de cobertura
Exames de imagem com laudo e data Sem a data e o laudo, o exame não sustenta conduta
Disco, link ou arquivo das imagens O laudo descreve, a imagem mostra
Resultados laboratoriais recentes Evita repetir o que já foi feito
Preventivo e resultado da última coleta Define se está no prazo de rastreamento
Lista de medicamentos com dose Inclui hormônio, suplemento e fitoterápico
Relatório de cirurgias anteriores A descrição do ato muda a conduta futura
Caderneta ou registro de alergias Segurança em procedimento e em prescrição
Anotação dos sintomas O ponto que mais rende na consulta

O que anotar antes

Escreva com data. Memória de sintoma muda conforme o dia, e anotação com data não muda.

Sobre a menstruação: quando começou o ciclo atual, quantos dias dura, de quanto em quanto tempo vem, se tem coágulo, quantos absorventes você usa por dia nos dias piores e se precisa trocar de madrugada. O Protocolo de Sangramento Uterino Anormal da FEBRASGO, publicado na Femina em 2026, organiza justamente esse vocabulário, e Descrever assim substitui palavras vagas como "muito" ou "pouco", e é assim que a ginecologia mede sangramento.".

Sobre a dor: onde dói, quando começou, se piora perto da menstruação, se piora na relação, se piora ao evacuar ou ao urinar, e de zero a dez quanto ela vale no pior dia. Quantos dias por mês você deixa de fazer alguma coisa por causa da dor.

Sobre a bexiga e o intestino: perda de urina ao tossir ou ao rir, urgência para chegar ao banheiro, quantas vezes você acorda à noite, prisão de ventre, esforço para evacuar.

Sobre a história: partos e como foram, cirurgias com ano, doenças em acompanhamento, uso de anticoncepcional, tentativa de gravidez em andamento, e histórico de câncer em parentes de primeiro grau.

Sobre o preventivo: anote a data da última coleta e o que deu o resultado. Quem define o prazo de rastreamento no Brasil é o Ministério da Saúde, pelo INCA, nas diretrizes de rastreamento do câncer do colo do útero com teste de DNA-HPV. Com a data em mãos, a consulta resolve esse item em um minuto.

Um detalhe simples aumenta muito o rendimento da anotação: registre o que já tentou e o que aconteceu. Anticoncepcional que causou efeito indesejado, analgésico que deixou de funcionar, fisioterapia que foi interrompida no meio. Tratamento tentado e abandonado é informação clínica, não é falha sua, e sem ele a conduta seguinte costuma repetir o que já não deu certo.

O que perguntar

Cinco perguntas cabem em qualquer consulta ginecológica e valem para qualquer diagnóstico.

O que eu tenho, com nome. Qual exame confirma isso, e em quanto tempo. Quais são as opções de tratamento, inclusive a de não tratar agora. O que acontece se eu não fizer nada nos próximos seis meses. E, se houver procedimento, o que eu vou sentir durante.

Essa última mudou de estatuto. O Clinical Consensus nº 9 do ACOG, de 2025, dedicado ao manejo da dor em procedimentos uterinos e cervicais de consultório, colocou a conversa sobre dor como parte do procedimento, e não como detalhe. Perguntar o que você vai sentir e quais opções de analgesia existem é pergunta esperada. O tema aparece em Histeroscopia dói?.

Quando a consulta é para decidir cirurgia

Quando já existe um diagnóstico e a conversa é sobre operar, acrescente ao preparo o histórico do que já foi tentado sem cirurgia, com nome do medicamento, dose e duração. Esse é o dado que costuma faltar e é o que sustenta a indicação.

Acrescente também as perguntas de decisão: por qual via, quanto tempo de recuperação, quantos dias de atestado, o que acontece se voltar. A lista completa de perguntas ao cirurgião está em Como escolher o cirurgião ginecológico, o preparo de exames está em Quais exames são pedidos antes de uma cirurgia ginecológica, e a conta dos dias fora está em Quantos dias de atestado uma cirurgia ginecológica dá.

O que você pode pedir e costuma esquecer

A Resolução CFM nº 2.381/2024 organizou os documentos médicos, e três deles valem ser lembrados na hora de sair da sala.

O atestado médico é parte integrante da consulta e seu fornecimento é direito da paciente, sem cobrança adicional, conforme o artigo 5º, §1º. Existe também a declaração de comparecimento, para quem precisa justificar a ausência sem afastamento. E existe o relatório médico, que é o documento a pedir quando você vai levar o caso a outro profissional ou ao plano de saúde.

Sobre o diagnóstico escrito no papel: ele só entra por dever legal, por justa causa ou a seu pedido. Você decide o que o seu empregador vai ler.

Cobertura pelo plano de saúde

A consulta em ginecologia e obstetrícia tem prazo máximo de atendimento de sete dias úteis, conforme a tabela de prazos da ANS regida pela Resolução Normativa nº 566/2022. Os procedimentos ginecológicos constam no rol de procedimentos da ANS e, havendo indicação médica, costumam ter cobertura pelos planos de saúde. A autorização depende de cada contrato, e o caminho está em Cirurgia ginecológica pelo convênio.

Em quais hospitais operamos

Samaritano Paulista, Samaritano Higienópolis, Blanc, Leforte Liberdade, São Luiz Alphaville, São Luiz Morumbi e Alvorada Moema.

Quem faz

O atendimento no Instituto de Ginecologia Avançada é conduzido por Dra. Vanessa M. Sargaço (MÉDICA: CRM-SP 199.937 · Ginecologista: RQE 116.516), Dr. Lucas G. S. Baptista (CRM-SP 184.500, RQE 104.283), Dr. Kevin F. A. Oliveira (CRM-SP 196.633, RQE 110.796) e demais médicos do corpo clínico. Cada caso é discutido entre os médicos antes de qualquer decisão.

Perguntas frequentes

Posso ir menstruada na consulta?

Pode, e às vezes é melhor: quem tem sangramento intenso permite avaliar o quadro no dia em que ele acontece. Para coleta de preventivo, costumamos preferir fora do período menstrual.

Preciso fazer depilação ou algum preparo íntimo?

Não. Nada disso muda o exame nem a conduta.

Posso ir acompanhada?

Pode, e você escolhe se o acompanhante entra na sala ou aguarda. Diga isso na recepção.

Meus exames antigos servem?

Servem para mostrar a evolução, e por isso vale levar mesmo os antigos. Para sustentar uma indicação cirúrgica, o exame de imagem precisa ser recente, porque mioma, pólipo e cisto mudam de tamanho. O ponto aparece em O tamanho do mioma decide a cirurgia?.

Como descrevo meu sangramento sem parecer exagero?

Em número: dias de sangramento, absorventes por dia, presença de coágulo e troca noturna. Se o quadro for de pólipo ou de mioma, esses dados orientam a investigação descrita em Pólipo endometrial precisa tirar?.

Vou precisar de ultrassom no mesmo dia?

Depende do que a consulta encontrar. Quando o assunto é dor pélvica ou suspeita de endometriose, a imagem tem preparo próprio e costuma ser agendada, como está em Não precisa operar para descobrir endometriose.

Tenho vergonha de contar algumas coisas. Como faço?

Escreva no papel e entregue. Perda de urina, dor na relação e sangramento após o sexo são queixas frequentes e ninguém as ouve pela primeira vez. A de perda de urina está descrita em Perco xixi quando tusso.

Quanto tempo dura a primeira consulta?

O suficiente para história, exame e conduta. Chegar com a anotação pronta é o que mais aproveita esse tempo.

Próximo passo

Agende uma avaliação com nossa equipe de ginecologia. Leve a anotação, os exames e as perguntas: saímos da consulta com um plano, e não com uma lista de pendências.

Referências

  1. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Sangramento uterino anormal. Protocolo. Femina. 2026;54(3):227-235. DOI 10.61622/0100-7254543202609
  2. American College of Obstetricians and Gynecologists. Clinical Consensus No. 9: Pain Management for In-Office Uterine and Cervical Procedures. Obstetrics & Gynecology. 2025. DOI 10.1097/AOG.0000000000005911
  3. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.381/2024. Normas éticas para a emissão de documentos médicos, art. 4º e art. 5º, §1º. PDF oficial do CFM
  4. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Prazos máximos de atendimento (Resolução Normativa nº 566/2022). gov.br/ans
  5. Instituto Nacional de Câncer. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero: volume 1, rastreamento organizado com teste molecular para detecção de DNA-HPV oncogênico. Rio de Janeiro: INCA, 2025. ninho.inca.gov.br

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