A resposta
Para escolher o cirurgião ginecológico existem critérios verificáveis, e eles não dependem de você entender de medicina. Três podem ser conferidos antes mesmo da consulta: se o registro no conselho de medicina está ativo, se existe RQE registrado para a especialidade e qual é a formação declarada. Os outros aparecem na consulta, pelo tipo de resposta que você recebe.
Escolher quem vai operar costuma ser a decisão mais difícil de todo o processo, e quase sempre é tomada com pouca informação, no meio do medo e da pressa. Os critérios abaixo servem para avaliar qualquer cirurgião, inclusive o que já está acompanhando você.
As oito perguntas
| Pergunta | O que a resposta mostra |
|---|---|
| Qual o seu RQE, e em qual especialidade? | Se a especialidade está registrada, e não só declarada |
| Quantas cirurgias como a minha você faz por ano? | Prática com o procedimento específico, não com cirurgia em geral |
| Por qual via você indica operar, e por quê? | Se a escolha é raciocinada ou é sempre a mesma |
| Quais são as complicações possíveis no meu caso? | Se o risco é nomeado ou é desviado |
| O que acontece se a doença voltar? | Se existe plano além do dia da cirurgia |
| Quem opera comigo e quem me acompanha depois? | Se há equipe ou se depende de uma pessoa só |
| Em quais hospitais você opera? | Que estrutura existe se algo sair do previsto |
| Existe alternativa sem cirurgia para mim agora? | Se a cirurgia é indicação ou é reflexo |
O que é RQE
RQE quer dizer Registro de Qualificação de Especialista. Quem o emite é o conselho regional de medicina, e não a faculdade nem a clínica onde o médico trabalha.
O caminho é este. O médico obtém o título de especialista por uma de duas vias: a residência médica credenciada, ou a prova de título aplicada pela sociedade da especialidade. Depois disso, ele leva o título ao conselho e pede o registro, que gera o número de RQE.
Isso tem duas consequências práticas. A primeira: é considerado especialista quem apresenta RQE, e título guardado na gaveta, sem registro, não conta. A segunda: quem não tem o registro da especialidade não pode divulgar que trata determinados órgãos ou doenças. Quem anuncia que opera endometriose precisa ter o registro correspondente.
Ginecologia e obstetrícia é uma especialidade. Dentro dela existem áreas de atuação reconhecidas, com formação adicional, e elas também têm RQE próprio. Perguntar por qual dos dois números o médico tem é uma pergunta comum e simples de responder.
Como conferir você mesma
A checagem é pública, gratuita e leva dois minutos.
No portal do Conselho Federal de Medicina existe uma busca de médicos, em
portal.cfm.org.br/busca-medicos, em que se pesquisa por nome, estado e número de registro.
Aparecem a situação do registro e as especialidades com RQE. Em São Paulo, a mesma consulta
está em guiamedico.cremesp.org.br.
A norma também exige que essa informação apareça na comunicação do médico: nome e número de registro no conselho, com a palavra MÉDICO, mais a especialidade ou a área de atuação com o número do RQE, quando registrada. Quando esses dados não aparecem, você pode simplesmente perguntar.
Volume, via e tecnologia
Duas perguntas da lista têm resposta na literatura, e vale conhecê-la antes de ouvi-las.
Sobre a via: quando o útero é retirado pela vagina, a volta às atividades acontece cerca de onze dias antes do que quando a cirurgia é feita pela barriga, e a laparoscopia também devolve a rotina mais cedo que a via aberta. O cirurgião que explica essa escolha caso a caso está fazendo o que a evidência pede.
Sobre tecnologia: na cirurgia de endometriose, a laparoscopia feita com auxílio de robô não mostrou vantagem sobre a laparoscopia comum. Equipamento não substitui indicação nem experiência, e essa é uma resposta honesta que você pode esperar de quem opera.
O que você tem direito de esperar
Algumas coisas estão em norma. A publicidade médica no Brasil proíbe promessa de resultado, garantia de cura e superlativo, e proíbe também divulgar preço de cirurgia. Um cirurgião que nomeia o risco, que fala em probabilidade e não em certeza, e que aceita a pergunta sobre a doença voltar, está trabalhando dentro do que a norma espera.
O contrário também vale. Pergunta sobre complicação não é desconfiança, e pedir segunda opinião não ofende ninguém. Se a resposta a qualquer dessas duas coisas for desconforto, isso já é uma informação.
Perguntas frequentes
O que é o título de especialista em ginecologia?
É a prova de título aplicada pela sociedade da especialidade, em convênio com a associação médica nacional. Ela gera o RQE quando o título é levado ao conselho de medicina.
Todo ginecologista pode operar?
Operar exige formação cirúrgica, e a especialidade em ginecologia e obstetrícia inclui cirurgia. O que muda de médico para médico é a prática com o procedimento específico, e essa é a pergunta a fazer.
Cirurgia com robô é melhor?
Em cirurgia ginecológica para doença não cancerosa, a evidência disponível não mostra vantagem consistente do robô sobre a laparoscopia comum. A tecnologia é ferramenta, e não critério de escolha.
Vale pedir segunda opinião antes de operar?
Vale, e é comum. Leve o relatório e os exames, para que o segundo médico refaça o raciocínio a partir dos mesmos dados.
Como avaliar quem opera endometriose?
Pergunte como ele aborda a doença profunda, qual equipe de outras especialidades está disponível e qual é o plano caso a doença volte.
E quem opera mioma?
Pergunte se a proposta preserva o útero, quando isso é possível, e por quê.
Posso perguntar quantas cirurgias o médico já fez?
Pode, e é uma pergunta legítima. A resposta útil é sobre o procedimento do seu caso, e não sobre o total da carreira.
O mesmo assunto com os estudos, os números e as fontes, para quem quer o detalhe. Cada seção tem link de volta para o resumo acima.
A resposta direta
Sabemos que escolher quem vai operar é a decisão mais difícil de todo o processo, e que ela costuma ser tomada com pouca informação, no meio do medo e da pressa.
Existem critérios verificáveis, e eles não dependem de você entender de medicina. Três deles podem ser conferidos antes mesmo da consulta: se o registro no CRM está ativo, se existe RQE registrado para a especialidade e qual é a formação declarada. Os outros aparecem na própria consulta, pelo tipo de resposta que você recebe.
Os critérios abaixo servem para avaliar qualquer cirurgião, inclusive o que já está acompanhando você.
As 8 perguntas, e o que cada resposta revela
| Pergunta | O que a resposta mostra |
|---|---|
| Qual o seu RQE e em qual especialidade? | Se a especialidade está registrada no CRM, e não só declarada |
| Quantas cirurgias como a minha você faz por ano? | Familiaridade com o procedimento específico, não com cirurgia em geral |
| Por qual via você indica operar, e por quê? | Se a escolha é raciocinada ou é sempre a mesma |
| Quais são as complicações possíveis no meu caso? | Se o risco é nomeado ou é evitado |
| O que acontece se a doença voltar? | Se existe plano além do dia da cirurgia |
| Quem opera comigo e quem me acompanha depois? | Se há equipe ou se depende de uma pessoa só |
| Em quais hospitais você opera? | Estrutura disponível para intercorrência |
| Existe alternativa sem cirurgia para mim agora? | Se a cirurgia é indicação ou é reflexo |
O que é RQE, e por que ele é o filtro mais objetivo
RQE é a sigla de Registro de Qualificação de Especialista. Ele é emitido pelo Conselho Regional de Medicina, e não pela faculdade nem pela clínica onde o médico trabalha.
O caminho é este. O médico obtém o título de especialista por uma de duas vias: residência médica credenciada pela Comissão Nacional de Residência Médica, ou prova de título aplicada pela sociedade da especialidade em convênio com a Associação Médica Brasileira. Em ginecologia, essa prova é o TEGO, aplicado pela FEBRASGO. Depois disso, o médico leva o título ao CRM e pede o registro, que gera o número de RQE. A Resolução CFM nº 2.148/2016 determina que os Conselhos Regionais registrem apenas títulos e certificados reconhecidos pela Comissão Mista de Especialidades e emitidos pela AMB ou pela CNRM.
Duas consequências práticas. A primeira: pela Resolução CFM nº 2.336/2023, artigo 13, §2º, é considerado especialista quem apresenta RQE. Título guardado na gaveta, sem registro, não conta. A segunda: o artigo 11, inciso I, da mesma resolução veda ao médico não especialista divulgar que trata órgãos ou doenças específicas. Quem anuncia que opera endometriose precisa ter o registro correspondente.
A lista vigente de especialidades e áreas de atuação está na Resolução CFM nº 2.380/2024. Nela, Ginecologia e Obstetrícia é especialidade, e endoscopia ginecológica é área de atuação reconhecida, com pré-requisito de residência em Ginecologia e Obstetrícia. Área de atuação é uma formação adicional dentro da especialidade, e ela também tem RQE próprio.
Como conferir sem depender do que o site diz
A checagem é pública, gratuita e leva dois minutos.
No portal do Conselho Federal de Medicina existe a busca de médicos, em portal.cfm.org.br/busca-medicos, onde se pesquisa por nome, estado e número de CRM, e aparecem a situação do registro e as especialidades com RQE. Em São Paulo, o Cremesp mantém a mesma consulta em guiamedico.cremesp.org.br.
A norma também exige que a informação esteja visível na comunicação do médico. O artigo 4º da Resolução CFM nº 2.336/2023 determina que as peças de publicidade tragam nome e número de registro no CRM acompanhados da palavra MÉDICO, além da especialidade ou área de atuação com o número do RQE, quando registrada. Quando esses dados não aparecem, você pode simplesmente perguntar.
Volume, via e tecnologia: o que a evidência diz
Duas perguntas da lista têm resposta na literatura, e vale conhecê-la.
Sobre a via, a revisão Cochrane de 2023, primeira autora Pickett CM, com 63 estudos e mais de seis mil mulheres, comparou as vias de histerectomia para doença benigna: a via vaginal levou ao retorno às atividades cerca de onze dias antes da abdominal, e a laparoscópica também foi mais rápida que a aberta. Nenhuma via é isenta de risco, e é por isso que a escolha se faz caso a caso. O cirurgião que explica essa escolha caso a caso está fazendo o que a evidência pede. As vias estão detalhadas em Histerectomia: vias e recuperação.
Sobre tecnologia, a revisão sistemática de Csirzó e colaboradores, publicada em Surgical Endoscopy em 2024, não encontrou vantagem demonstrável da laparoscopia assistida por robô sobre a laparoscopia convencional em cirurgia de endometriose. Equipamento não substitui indicação nem experiência, e essa é uma resposta honesta que você pode esperar de quem opera.
Os sinais que dizem respeito a você
Você tem direito a algumas coisas, e elas estão em norma. A publicidade médica no Brasil veda promessa de resultado, garantia de cura e superlativo. Também veda divulgar preço de procedimento cirúrgico. Um cirurgião que nomeia o risco, que fala em probabilidade e não em certeza, e que aceita a pergunta sobre recidiva, está trabalhando dentro do que a norma espera.
O contraponto também vale. Pergunta sobre complicação não é desconfiança, e pedir segunda opinião não ofende ninguém. Se a resposta a qualquer dessas duas coisas for desconforto, isso já é uma informação.
Há ainda um papel que costuma passar batido: o termo de consentimento livre e esclarecido. Em texto publicado na revista Femina, da FEBRASGO, Damásio e Wender descrevem esses termos como oportunidade de discussão clara com a paciente, e defendem que o uso adequado deles seja incorporado à prática médica. Ler o termo com calma, e perguntar o que não entendeu antes de assinar, faz parte da escolha.
Cobertura pelo plano de saúde
As cirurgias ginecológicas constam no rol de procedimentos da ANS e, havendo indicação médica, costumam ter cobertura pelos planos de saúde. A autorização depende de cada contrato, e a escolha do cirurgião fica entre os profissionais credenciados ao seu plano. O caminho está em Cirurgia ginecológica pelo convênio.
Em quais hospitais operamos
Samaritano Paulista, Samaritano Higienópolis, Blanc, Leforte Liberdade, São Luiz Alphaville, São Luiz Morumbi e Alvorada Moema.
Quem faz
O corpo clínico do Instituto de Ginecologia Avançada é formado por Dr. Lucas G. S. Baptista (CRM-SP 184.500, RQE 104.283), Dr. José Ricardo W. Ristow (CRM-SP 206.100, RQE 114.593), Dr. Kevin F. A. Oliveira (CRM-SP 196.633, RQE 110.796), Dr. Carlos Guilherme Del Roy (CRM-SP 216.943, RQE 128.844), Dra. Lorena Cerutti (CRM-SP 219.409, RQE 124.944) e Dra. Vanessa M. Sargaço (MÉDICA: CRM-SP 199.937 · Ginecologista: RQE 116.516). Os registros acima podem ser conferidos nas consultas públicas citadas nesta página.
Perguntas frequentes
O que é o título de especialista da FEBRASGO?
É o TEGO, a prova de título em Ginecologia e Obstetrícia aplicada pela FEBRASGO em convênio com a Associação Médica Brasileira. Ele gera o registro de RQE quando levado ao CRM.
Todo ginecologista pode operar?
Operar exige formação cirúrgica, e a especialidade em Ginecologia e Obstetrícia inclui cirurgia. O que muda de médico para médico é a prática com o procedimento específico, e essa é a pergunta a fazer.
Cirurgia robótica é melhor?
Em cirurgia ginecológica benigna, a evidência disponível não mostra vantagem consistente do robô sobre a laparoscopia convencional. A tecnologia é ferramenta, não critério de escolha.
Vale pedir segunda opinião antes de operar?
Vale, e é comum. Leve o relatório e os exames, para que o segundo médico refaça o raciocínio a partir dos mesmos dados.
Como avaliar quem opera endometriose?
Pergunte pela abordagem da doença profunda, pela equipe multidisciplinar disponível e pelo plano diante de recidiva. Os pontos estão em Cirurgia de endometriose profunda e em A endometriose volta depois da cirurgia?.
E quem opera mioma?
Pergunte se a proposta preserva o útero, quando isso é possível, e por quê. O tema está em Tratar mioma sem tirar o útero.
E na uroginecologia, o que perguntar?
Se a fisioterapia do assoalho pélvico já foi tentada, qual material será usado e quem acompanha uma eventual complicação. A conversa está em Perco xixi quando tusso.
Posso perguntar quantas cirurgias o médico já fez?
Pode, e é uma pergunta legítima. A resposta útil é sobre o procedimento específico do seu caso, não sobre o total de cirurgias da carreira.
Próximo passo
Agende uma avaliação com nossa equipe de cirurgia ginecológica. Leve esta lista de perguntas a qualquer consulta: a decisão é sua, e ela fica melhor com resposta na mão.
Referências
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.148/2016. Registro de títulos de especialista e certificados de área de atuação; Comissão Mista de Especialidades. PDF oficial do CFM
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.380/2024. Lista vigente de especialidades médicas e áreas de atuação. PDF oficial do CFM
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.336/2023, art. 4º (identificação), art. 11, I (divulgação por não especialista) e art. 13, §2º (RQE). PDF oficial do CFM
- Pickett CM, et al. Surgical approach to hysterectomy for benign gynaecological disease. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2023. DOI 10.1002/14651858.CD003677.pub6
- Csirzó Á, et al. Robot-assisted laparoscopy does not have demonstrable advantages over conventional laparoscopy in endometriosis surgery: a systematic review and meta-analysis. Surgical Endoscopy. 2024. DOI 10.1007/s00464-023-10587-9 · PMID 38062181
- Damásio LCVC, Wender MCO. A importância dos termos de consentimento. Femina. 2020;48(7):419-420. DOI 10.61622/0100-7254487202004
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Agende uma avaliaçãoAssinado por Dra. Vanessa M. Sargaço, MÉDICA: CRM-SP 199.937 · Ginecologista: RQE 116.516, e revisado em 18/09/2026. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.
