A resposta
O atestado depois de cirurgia ginecológica não tem número fixado em lei: ele é escrito pelo médico que opera e leva em conta quatro coisas, qual procedimento foi feito, por qual via, qual anestesia e qual é o seu trabalho. Vai de zero a dois dias numa histeroscopia de consultório até trinta dias ou mais numa retirada de útero feita pela barriga.
Essa conta costuma pesar antes mesmo da cirurgia, e quase nunca é respondida por escrito. Quem depende do salário precisa saber quantos dias vai ficar fora para se organizar. Na nossa equipe o atestado é conversado antes da cirurgia, e não no corredor da alta. Quem trabalha em pé, dirige, carrega peso ou faz plantão precisa de uma conta diferente de quem trabalha sentada e pode voltar por meio período.
Quantos dias, por cirurgia
Os prazos abaixo são a orientação da nossa equipe para cirurgia marcada, sem complicação, em trabalho sem esforço físico. Eles servem para planejar, e não substituem o atestado que você vai receber.
| Cirurgia | Dias que costumamos dar | O que muda o número |
|---|---|---|
| Histeroscopia de consultório, para ver a cavidade | 0 a 2 dias | Sem anestesia geral, alta em poucas horas |
| Histeroscopia para retirar pólipo | 2 a 7 dias | Com sedação, alta no mesmo dia |
| Laparoscopia pequena ou para investigar | 7 a 14 dias | Depende do que for encontrado |
| Retirada de mioma por laparoscopia | 14 a 30 dias | Número e tamanho dos miomas |
| Retirada de mioma pela barriga | 30 dias | Corte na parede abdominal |
| Cirurgia de endometriose profunda | 15 a 30 dias | Pode chegar a 45 se envolver intestino ou bexiga |
| Retirada do útero pela vagina ou por laparoscopia | 15 a 30 dias | Retorno mais rápido que o da via aberta |
| Retirada do útero pela barriga | 30 a 45 dias | Hoje é a última escolha de via |
| Cirurgia para perda de urina | 7 a 15 dias | Trabalho com peso pede prazo maior |
| Correção de prolapso | 15 a 30 dias | Depende do que foi reparado |
| Cirurgia de cisto de ovário por laparoscopia | 7 a 21 dias | Tamanho e achado |
Por que a via muda tanto a conta
A primeira razão é o tamanho do corte. Quem opera o útero pela vagina volta às atividades cerca de onze dias antes de quem opera pela barriga, e a laparoscopia também devolve a rotina mais cedo que a via aberta. O manuseio da parede abdominal explica boa parte dessa diferença.
A segunda razão é o cuidado em volta da cirurgia. Jejum mais curto, controle da dor sem depender de remédio pesado e sair da cama no mesmo dia encurtam o afastamento.
A terceira é a que menos se comenta: a orientação varia muito de cirurgião para cirurgião diante da mesma cirurgia. Na cirurgia para perda de urina, metade das mulheres volta ao trabalho em cerca de duas semanas, e liberar peso e impacto em três semanas trouxe mais satisfação do que segurar por seis, com o mesmo resultado. Restringir mais não protege mais.
A quarta é o que foi encontrado dentro. Uma laparoscopia que começa para investigar pode terminar com a retirada de endometriose profunda, e aí o prazo muda. Por isso o atestado sai depois da cirurgia, com o que realmente foi feito, e não antes.
Quem paga os dias em que você fica fora
Para quem tem carteira assinada, os primeiros quinze dias seguidos de afastamento são pagos pela empresa, com salário integral. A partir do décimo sexto dia, o pagamento passa para o INSS, no benefício por incapacidade temporária.
Isso tem uma consequência prática. Uma cirurgia com trinta dias de atestado não é um papel só para o setor de pessoal: ela envolve um pedido ao INSS, e o relatório da cirurgia é o documento que sustenta esse pedido. Peça esse relatório na alta, junto com a descrição do que foi feito.
Quem é autônoma ou contribui por conta própria não tem os quinze dias de empresa: o benefício corre desde o início do afastamento, desde que já existam doze contribuições mensais. Servidora pública federal segue regra própria, com licença baseada em perícia.
O que precisa estar escrito no atestado
O atestado precisa trazer a identificação do médico, com nome e registro, a sua identificação e a quantidade de dias de dispensa. Ele é parte da consulta e o fornecimento é direito seu, sem cobrança à parte.
Sobre o diagnóstico, que é o ponto que mais gera dúvida: ele só entra no atestado por exigência legal ou a seu pedido, e nesse caso a sua concordância fica registrada. Ninguém é obrigada a expor o diagnóstico ginecológico ao empregador. Se o benefício exigir o código do diagnóstico, é você quem autoriza.
Perguntas frequentes
Quantos dias de atestado depois de uma laparoscopia?
De 7 a 14 dias em cirurgia pequena, e de 15 a 30 dias quando há retirada de mioma, endometriose profunda ou retirada do útero na mesma cirurgia.
Quanto tempo depois de tirar o útero?
De 15 a 30 dias pela vagina ou por laparoscopia, e de 30 a 45 dias quando a cirurgia é feita pela barriga.
Preciso de atestado depois de histeroscopia?
Na versão de consultório, muitas mulheres voltam a trabalhar no mesmo dia. Na versão com sedação, damos de 2 a 7 dias.
O atestado conta dias corridos ou dias úteis?
Escrevemos em dias corridos, que é como o documento costuma ser lido pelo empregador e pela perícia. Se o seu caso tiver alguma particularidade, diga na consulta.
Dá para prorrogar se eu não estiver bem?
Dá, e é para isso que existe o retorno depois da cirurgia. Prorrogação é decisão clínica tomada com você na frente, nunca por mensagem.
O médico é obrigado a colocar o diagnóstico?
Não. Ele entra por exigência legal ou a seu pedido, com a sua concordância registrada.
Sangrar depois da cirurgia atrapalha a volta ao trabalho?
Sangramento leve por alguns dias é esperado em cirurgia do útero e não costuma mudar o atestado. O que muda a conduta é sangramento intenso, febre ou dor que aumenta.
Posso trabalhar de casa antes do fim do atestado?
Depende do tipo de cirurgia e do que o trabalho exige do corpo. Traga a pergunta na consulta antes da cirurgia, e não depois da alta.
O mesmo assunto com os estudos, os números e as fontes, para quem quer o detalhe. Cada seção tem link de volta para o resumo acima.
A resposta direta
Sabemos que essa conta pesa antes mesmo da cirurgia: quem depende do salário precisa saber quantos dias vai ficar fora, e quase ninguém responde isso por escrito antes da consulta.
Não existe um número fixado em lei para cada cirurgia. O atestado é escrito pelo médico que opera e leva em conta quatro coisas: qual procedimento foi feito, por qual via, qual anestesia e qual é o seu trabalho. Uma histeroscopia diagnóstica de consultório costuma render de zero a dois dias. Uma histerectomia por via aberta costuma render trinta dias, às vezes mais.
Na nossa equipe, o atestado é discutido antes da cirurgia, e não no corredor da alta. Quem trabalha em pé, dirige, carrega peso ou faz plantão precisa de uma conta diferente de quem trabalha sentada e pode voltar por meio período.
Tabela por procedimento
Os prazos abaixo são a orientação da nossa equipe para cirurgia eletiva sem complicação, em trabalho sem esforço físico. Servem para planejar, não para substituir o atestado que você vai receber.
| Procedimento | Atestado que costumamos dar | Observação |
|---|---|---|
| Histeroscopia diagnóstica de consultório | 0 a 2 dias | Sem anestesia geral, alta em poucas horas |
| Histeroscopia cirúrgica, polipectomia | 2 a 7 dias | Com sedação, alta no mesmo dia |
| Laparoscopia diagnóstica ou de pequeno porte | 7 a 14 dias | Depende do que foi encontrado |
| Miomectomia por videolaparoscopia | 14 a 30 dias | Varia com número e tamanho dos miomas |
| Miomectomia por via aberta | 30 dias | Incisão abdominal, retorno mais lento |
| Cirurgia de endometriose profunda | 15 a 30 dias | Pode chegar a 45 com tempo intestinal ou urinário |
| Histerectomia vaginal ou por videolaparoscopia | 15 a 30 dias | Via minimamente invasiva, retorno mais rápido |
| Histerectomia por via aberta | 30 a 45 dias | Última escolha de via hoje |
| Cirurgia de incontinência urinária, sling | 7 a 15 dias | Trabalho com peso pede prazo maior |
| Reparo de prolapso genital | 15 a 30 dias | Conforme o compartimento reparado |
| Cirurgia de cisto de ovário por videolaparoscopia | 7 a 21 dias | Conforme o tamanho e o achado |
Por que a via muda tanto o número
A revisão Cochrane de 2023 sobre vias de histerectomia, com 63 estudos e mais de seis mil mulheres, mediu exatamente isso: a via vaginal levou ao retorno às atividades cerca de onze dias antes da via abdominal, e a laparoscópica também foi mais rápida que a aberta (Pickett et al.). O tamanho da incisão e o manuseio da parede abdominal explicam boa parte da diferença.
O segundo fator é o protocolo de recuperação. O Position Statement nº 2/2022 da FEBRASGO, primeira autora Santiago AE, organizou o manejo perioperatório em ginecologia segundo o programa ERAS: jejum abreviado, controle da dor sem depender de opioide, saída da cama no mesmo dia. Quem recebe esse cuidado costuma precisar de menos dias de afastamento. Esse documento é brasileiro e está publicado em português na revista Femina, da própria FEBRASGO, o que permite a você ler a fonte inteira sem depender de tradução.
O terceiro fator é o mais esquecido: a orientação varia demais entre cirurgiões. Um levantamento com cirurgiões de cirurgia minimamente invasiva e reconstrução pélvica mostrou orientações de restrição muito heterogêneas para a mesma cirurgia (Winkelman et al., 2020). Em incontinência urinária, a mediana para voltar à vida normal com trabalho foi de 14 dias em análise do Trial of Mid-Urethral Slings (Wang e Sappenfield, 2023), e um ensaio randomizado mostrou que liberar peso e impacto em três semanas trouxe mais satisfação do que em seis, com resultado igual (Alvarez et al., 2025). Restringir mais não protege mais.
Para histeroscopia de consultório, o Green-top nº 59 do RCOG, de 2024, primeira autora De Silva PM, descreve o procedimento ambulatorial sem anestesia geral e com retorno à rotina no mesmo dia. É por isso que ele aparece com zero dia na tabela.
O quarto fator é o que foi encontrado dentro. Uma laparoscopia que começa como diagnóstica pode terminar com ressecção de endometriose profunda, e aí o prazo muda. Quando a cirurgia envolve intestino ou ureter, trabalhamos com até 45 dias, como está detalhado em Recuperação da cirurgia de endometriose. O mesmo vale para miomectomia: o número e a localização dos miomas mudam o tempo de parede abdominal e de útero a cicatrizar, tema tratado em Tratar mioma sem tirar o útero. Por isso o atestado sai depois da cirurgia, com o que realmente foi feito, e não antes.
O que a lei diz sobre os dias fora
Para quem tem carteira assinada, a regra está na Lei nº 8.213/1991. O artigo 60, §3º, determina que a empresa paga o salário integral durante os primeiros quinze dias consecutivos de afastamento. A partir do décimo sexto dia, o benefício passa a ser pago pelo INSS, com o nome atual de auxílio por incapacidade temporária.
Isso tem uma consequência prática: uma cirurgia com 30 dias de atestado não é um atestado só para o RH. Ela envolve um requerimento ao INSS, e o relatório da cirurgia é o documento que sustenta o pedido. Peça esse relatório na alta, junto com a descrição do procedimento.
Para quem é autônoma, MEI ou contribuinte individual, não existem os quinze dias de empresa: o benefício corre desde o início da incapacidade, desde que cumprida a carência de doze contribuições mensais prevista no artigo 25, inciso I, da mesma lei. Quem é servidora pública federal segue a Lei nº 8.112/1990, com licença para tratamento de saúde baseada em perícia.
O que precisa constar no atestado
A Resolução CFM nº 2.381/2024 organizou os documentos médicos e vale a pena saber o que você pode exigir.
O atestado médico de afastamento precisa trazer a identificação do médico com nome, CRM e RQE, a identificação da paciente e a quantidade de dias de dispensa (artigos 2º e 4º). O atestado é parte integrante da consulta e seu fornecimento é direito da paciente, sem cobrança adicional (artigo 5º, §1º).
Sobre o CID, o ponto que mais gera confusão: o diagnóstico, codificado ou não, só entra no atestado por justa causa, por dever legal ou a pedido da própria paciente, e nesse caso a concordância precisa estar expressa no atestado e registrada no prontuário (artigo 5º, §3º e §4º). Ou seja, ninguém é obrigada a expor o diagnóstico ginecológico ao empregador. Se o benefício do INSS exigir o código, é você quem autoriza.
Cobertura pelo plano de saúde
As cirurgias ginecológicas citadas nesta página constam no rol de procedimentos da ANS e, havendo indicação médica, costumam ter cobertura pelos planos de saúde. A autorização depende de cada contrato. O passo a passo está em Cirurgia ginecológica pelo convênio, e o que fazer diante de uma recusa está em Convênio negou a cirurgia.
Em quais hospitais operamos
Samaritano Paulista, Samaritano Higienópolis, Blanc, Leforte Liberdade, São Luiz Alphaville, São Luiz Morumbi e Alvorada Moema.
Quem faz
A cirurgia minimamente invasiva do Instituto de Ginecologia Avançada é conduzida por Dra. Lorena Cerutti (CRM-SP 219.409, RQE 124.944), Dr. Carlos Guilherme Del Roy (CRM-SP 216.943, RQE 128.844) e Dr. José Ricardo W. Ristow (CRM-SP 206.100, RQE 114.593). Cada caso é discutido entre os médicos antes de qualquer decisão.
Perguntas frequentes
Quantos dias de atestado depois de uma laparoscopia?
De 7 a 14 dias em procedimento de pequeno porte, e de 15 a 30 dias quando há miomectomia, endometriose profunda ou histerectomia na mesma cirurgia.
Quanto tempo de atestado depois da histerectomia?
De 15 a 30 dias por via vaginal ou laparoscópica, e de 30 a 45 dias por via aberta. Os detalhes de cada via estão em Histerectomia: vias e recuperação.
Preciso de atestado depois de histeroscopia?
Na versão diagnóstica de consultório, muitas mulheres voltam a trabalhar no mesmo dia. Na versão cirúrgica com sedação, damos de 2 a 7 dias. O tema está em Histeroscopia diagnóstica ou cirúrgica.
O atestado conta dias corridos ou dias úteis?
Escrevemos em dias corridos, que é como o documento costuma ser lido por empregador e por perícia. Se o seu caso tiver alguma particularidade, diga na consulta.
Dá para prorrogar o atestado se eu não estiver bem?
Dá, e é para isso que existe o retorno pós-operatório. Prorrogação é decisão clínica tomada com você na frente, nunca por mensagem.
O médico é obrigado a colocar o CID?
Não. O CID só entra por dever legal, por justa causa ou a seu pedido, com a sua concordância registrada.
Sangrar depois da cirurgia atrapalha o retorno ao trabalho?
Sangramento leve por alguns dias é esperado em cirurgia uterina e não costuma mudar o atestado. O que muda a conduta é sangramento intenso, febre ou dor crescente, sinais descritos em Sangramento depois da histeroscopia.
Posso trabalhar em casa antes do fim do atestado?
Essa conversa é individual e depende do tipo de cirurgia e do que o trabalho exige do corpo. Traga a pergunta na consulta pré-operatória, e não depois da alta.
Próximo passo
Agende uma avaliação com nossa equipe de cirurgia ginecológica. Na consulta pré-operatória definimos o procedimento, a via e, com isso, o número de dias que você precisa reservar.
Referências
- Brasil. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, art. 60, §3º (afastamento e pagamento pela empresa) e art. 25, I (carência). Texto compilado. planalto.gov.br
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.381/2024. Normas éticas para a emissão de documentos médicos, arts. 2º, 4º e 5º. PDF oficial do CFM
- Pickett CM, et al. Surgical approach to hysterectomy for benign gynaecological disease. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2023. DOI 10.1002/14651858.CD003677.pub6
- Santiago AE, et al. Perioperative management in gynecological surgery based on the ERAS program. FEBRASGO Position Statement nº 2/2022. Rev Bras Ginecol Obstet / Femina. 2022. DOI 10.1055/s-0042-1743401. Versão em português: Manejo perioperatório em cirurgia ginecológica baseado no programa ERAS. Femina. 2022;50(2):112-120. DOI 10.61622/0100-7254502202206
- De Silva PM, et al. Outpatient Hysteroscopy. RCOG Green-top Guideline No. 59. BJOG. 2024. DOI 10.1111/1471-0528.17907
- Wang R, Sappenfield EC. Return to work and normal activities after mid-urethral sling: secondary analysis of the Trial of Mid-Urethral Slings. Int Urogynecol J. 2023. DOI 10.1007/s00192-023-05567-5
- Alvarez P, et al. Activity Restrictions After Midurethral Sling: A Randomized Controlled Trial. Urogynecology. 2025. DOI 10.1097/SPV.0000000000001679
- Winkelman WD, et al. Survey of Postoperative Activity Guidelines After Minimally Invasive Gynecologic and Pelvic Reconstructive Surgery. Female Pelvic Med Reconstr Surg. 2020. DOI 10.1097/SPV.0000000000000697
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Agende uma avaliaçãoAssinado por Dra. Vanessa M. Sargaço, MÉDICA: CRM-SP 199.937 · Ginecologista: RQE 116.516, e revisado em 18/09/2026. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.
