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Histeroscopia em São Paulo

Ver e tratar o interior do útero por uma câmera que entra pelo caminho natural, sem nenhuma incisão. Em boa parte dos casos, diagnóstico e tratamento acontecem na mesma sessão.

7 hospitais em São Paulo Equipe especializada Atendimento por credenciamento 15 min de leitura

O que é a histeroscopia

O útero é uma cavidade virtual: as paredes ficam encostadas uma na outra. Para enxergar lá dentro, uma ótica fina, do calibre de um lápis ou menor, entra pelo canal do colo do útero, o mesmo caminho por onde sai a menstruação, e distende a cavidade com soro fisiológico.

Não há corte no abdome, não há furo na barriga, não há cicatriz. A câmera percorre as duas paredes, o fundo e as saídas das trompas, e o médico descreve o que vê enquanto vê. Quando existe uma lesão, ela pode ser retirada na mesma entrada. É o que a literatura chama de ver e tratar.

Em 90 segundos: por onde a câmera entra, o que ela mostra e por que dá para tratar na mesma sessão.

2 a 3 mmo calibre da ótica na maioria dos exames
90%dos procedimentos podem ser feitos em ambiente ambulatorial
356histeroscopias cirúrgicas realizadas pela equipe desde 2024

Diagnóstica e cirúrgica: a mesma entrada

São o mesmo procedimento, com duas finalidades. A diagnóstica olha dentro do útero; a cirúrgica olha e trata na mesma entrada. A diferença prática está em quatro coisas: onde é feita, qual anestesia se usa, qual o calibre do aparelho e quanto tempo dura.

Histeroscopia diagnóstica e cirúrgica
DiagnósticaCirúrgica
ObjetivoVer a cavidade e dirigir a biópsiaRetirar ou corrigir a lesão
OndeConsultório, na maioria dos casosConsultório ou centro cirúrgico, conforme o porte
AnestesiaSem anestesia geral de rotinaLocal, sedação ou geral
DuraçãoPoucos minutosDe 10 a 40 minutos
AltaNo mesmo dia, em geral em 1 horaNo mesmo dia na maioria dos casos
Complicações0,13%0,95%

Taxas de complicação de estudo prospectivo multicêntrico com 13.600 procedimentos (Jansen et al., Obstetrics & Gynecology, 2000). A complicação mais frequente é a perfuração, e cerca de metade delas acontece na entrada.

Na prática, muita paciente que sairia de casa para um exame sai com o pólipo já retirado.

Consenso conjunto FIGO e Global Community on Hysteroscopy, 2025

Quando é indicada

Sangramento anormal

Fluxo fora do padrão, entre ciclos ou depois da menopausa. Sangramento após a menopausa é sempre investigado.

Espessamento do endométrio

Quando o ultrassom mostra a camada interna do útero mais espessa do que o esperado.

Pólipo ou mioma na cavidade

Achado de imagem que pode ser retirado na mesma sessão em que é confirmado.

Investigação de infertilidade

Dificuldade para engravidar ou perdas gestacionais repetidas, para avaliar a cavidade.

Aderências intrauterinas

Faixas de tecido que reduzem a cavidade, com frequência depois de curetagem.

DIU encravado ou de difícil retirada

Localização e retirada sob visão direta, sem tentativa às cegas.

A lista completa inclui ainda septo uterino, resto de material após parto ou aborto e avaliação da cavidade antes de outros tratamentos. A indicação é sempre individual: o mesmo achado de imagem pode pedir condutas diferentes conforme a idade, os sintomas e o desejo de engravidar.

Dói?

A resposta honesta é que dói em graus muito diferentes, e que a variação não é sorte: depende da técnica de entrada, do calibre do aparelho, de haver ou não uma lesão a retirar e do que foi combinado com você antes de começar.

Para muitas mulheres a sensação é de cólica menstrual forte por poucos minutos. Quem tem o colo fechado, nunca teve parto vaginal ou já está na menopausa tende a sentir mais, e é nesse grupo que a escolha da técnica pesa mais.

O que reduz a dor, com evidência

Medidas de analgesia na histeroscopia de consultório
MedidaO que a evidência mostra
Anti-inflamatório oral 1 hora antesRecomendado pela RCOG Green-top 59 (2024)
Vaginoscopia, sem espéculo nem pinçaMenos dor, menos tempo e menos efeitos colaterais (Khoiwal et al., 2024)
Menor calibre disponívelRecomendação grau B da Green-top 59
Menor pressão de distensão que dê visãoRecomendação grau A da Green-top 59
Sedação consciente de rotinaNão recomendada: redução mínima da dor e mais efeitos adversos
Anestesia geral ou raquianestesiaOpção legítima, e você deve ser informada de que existe

Você deve ser avisada antes de que basta dizer, a qualquer momento, que a dor está grande demais: a equipe interrompe o exame na hora.

RCOG Green-top Guideline nº 59, revisada em 2024

Em 2025 o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas publicou um consenso que cita a histeroscopia pelo nome e afirma que profissionais de saúde não devem subestimar a dor relatada pela paciente. A conversa sobre analgesia é uma decisão sua também.

Como se preparar

  1. 1

    Anti-inflamatório uma hora antes

    No exame de consultório, a dose padrão de um anti-inflamatório por via oral uma hora antes é o que as diretrizes recomendam.

  2. 2

    Agende para depois da menstruação

    O sangue dentro da cavidade atrapalha a visão. Os dias logo após o fim da menstruação são os melhores, com o endométrio mais fino. Sangramento contínuo é situação diferente, e aí a data é definida pelo médico.

  3. 3

    Jejum, só com sedação ou anestesia

    No exame de consultório não é necessário. Com sedação ou anestesia geral, siga o tempo que a equipe de anestesia orientar.

  4. 4

    Leve os exames e a lista de medicamentos

    Ultrassom transvaginal recente com laudo, laudos de biópsia ou histeroscopia anterior, medicamentos em uso com dose, atenção especial a anticoagulante e hormônio, e a anotação do padrão de sangramento dos últimos três meses.

  5. 5

    Venha acompanhada se for receber sedação

    Com sedação ou anestesia geral, acompanhante é obrigatório e você não deve dirigir no mesmo dia. Leve também um absorvente externo.

Preparo do colo com medicação não é rotina: reduz a dor, mas quase triplica os efeitos adversos, e por isso é reservado a situações específicas. Antibiótico preventivo também não é rotina, em ensaio randomizado com 1.046 mulheres, a taxa de infecção não diferiu entre receber antibiótico e receber soro.

Como é feita, passo a passo

  1. 1

    Conversa antes de começar

    Você confirma seus dados e conversa sobre o que será feito, qual técnica de entrada será usada e quais opções de analgesia estão disponíveis.

  2. 2

    Entrada por vaginoscopia

    A técnica preferida dispensa espéculo e pinça no colo: o aparelho entra pela vagina distendida pelo próprio soro e encontra o colo sob visão direta. É a recomendação de grau A da Green-top 59.

  3. 3

    Distensão da cavidade

    O soro fisiológico afasta as paredes do útero na menor pressão que ainda dê uma visão satisfatória. Você pode acompanhar a imagem na tela, se quiser.

  4. 4

    Inspeção completa

    Toda a cavidade é percorrida, incluindo os cornos uterinos, os cantos de acesso mais difícil, onde ficam as saídas das trompas.

  5. 5

    Biópsia dirigida ou tratamento

    Na diagnóstica, a biópsia é coletada exatamente no ponto alterado. Na cirúrgica, entra o instrumento: para pólipos, as diretrizes recomendam os sistemas mecânicos de remoção, que cortam e aspiram o fragmento.

  6. 6

    Revisão final e alta

    A cavidade é reinspecionada para confirmar que nada ficou, e todo o material segue para exame anatomopatológico. A alta acontece no mesmo dia.

Recuperação: o que esperar

Depois da histeroscopia diagnóstica, o esperado é cólica por algumas horas e sangramento leve por alguns dias. A maioria retoma a rotina no mesmo dia. Depois da cirúrgica, o repouso costuma ser de 24 a 48 horas e o sangramento dura mais, em geral cerca de duas semanas, sempre em quantidade decrescente.

O que define se está tudo dentro do previsto não é o dia em que você está: é o sentido da curva. A quantidade tem que ir diminuindo.

Não existe diretriz que fixe um número exato de dias de sangramento depois da histeroscopia,

Esperado

  • Borra ou sangramento leve, diminuindo dia a dia
  • Cólica nos primeiros dias, que cede com analgésico comum
  • Corrimento rosado ou amarronzado
  • Temperatura normal
  • Cansaço leve no primeiro dia
  • Sangramento que reduz e some

Procurar ajuda

  • Encharcar um absorvente por hora, por duas horas seguidas
  • Dor forte que não melhora com o analgésico prescrito
  • Corrimento com odor forte ou aspecto de pus
  • Febre a partir de 38 graus, ou calafrio
  • Tontura, desmaio, palidez ou coração acelerado
  • Sangramento que para e volta mais intenso depois

Nas primeiras 24 horas: repouso relativo, analgésico conforme a prescrição e absorvente externo. Absorvente interno e coletor ficam suspensos enquanto houver sangramento, porque mantêm sangue na vagina. Piscina, mar, banheira e sauna também ficam de fora nesse período. A liberação para relação sexual depende do que foi feito lá dentro e é definida na consulta de revisão.

A menstruação seguinte pode vir adiantada, atrasada ou mais intensa que o habitual, e isso costuma se normalizar no ciclo seguinte. Alteração que persiste por mais de dois ciclos merece reavaliação.

Pólipo endometrial: o achado mais comum

O pólipo endometrial é um crescimento localizado da camada interna do útero, formado por glândulas e tecido de sustentação em volta de um vaso central. Ele cresce para dentro da cavidade, como uma saliência presa por um pé fino ou por uma base larga. O estímulo é hormonal, principalmente do estrogênio, e por isso a frequência sobe na perimenopausa.

Nem todo pólipo precisa sair

As duas metades dessa frase importam igualmente: nem todo pólipo precisa sair, e nem todo pólipo é inofensivo. O que decide não é o laudo sozinho, é a combinação de quatro coisas: se você já entrou na menopausa, se sangra ou não, o tamanho do pólipo e se existe desejo de engravidar.

Quando o pólipo é retirado e quando pode ser acompanhado
SituaçãoSintomaConduta que discutimos
Pólipo de qualquer tamanho, pós-menopausaSangramentoRetirada e exame do material
Pólipo maior que 13 mm, pós-menopausaSem sintomaRetirada
Pólipo de até 13 mm, pós-menopausaSem sintomaDecisão individualizada
Pólipo de qualquer tamanho, pré-menopausaSangramento anormalRetirada, que trata e diagnostica
Pólipo menor que 10 mm, pré-menopausaSem sintomaAcompanhamento é opção
Pólipo com desejo de gestaçãoCom ou sem sintomaAvaliação específica de fertilidade

Acompanhar não é abandonar. Significa reavaliação com ultrassom em prazo combinado, e revisão imediata da conduta se aparecer sangramento. Quem escolhe acompanhar sai da consulta com a data do próximo exame marcada. Há um grupo em que a conversa termina rápido, e é justo dizer com clareza: sangramento depois da menopausa não entra em acompanhamento, é sempre investigado.

Qual a chance de ser câncer

A maioria dos pólipos é benigna. Na maior reunião de dados disponível, uma metanálise que somou 11.204 pacientes com pólipo endometrial, 2,75% tinham lesão maligna (Al-Rayes et al., 2025). Esse número é uma média, e média esconde diferença: estar na menopausa multiplicou por 5,63 a chance de encontrar lesão pré-maligna ou maligna.

Nenhum exame de imagem diz se um pólipo é benigno ou maligno. Ultrassom, histerossonografia e até a visão direta na histeroscopia sugerem, quem responde é o exame do tecido ao microscópio.

Pode voltar?

Pode. Em estudo com 925 mulheres, a recidiva em seis meses foi de 7,78%. Vale distinguir três coisas que a paciente costuma chamar de "voltou": a persistência, quando a base ficou e o pólipo cresceu de novo dali; a recidiva verdadeira, quando a base saiu e um pólipo novo nasceu sob o mesmo estímulo hormonal; e o pólipo que não foi visto no primeiro procedimento. A diferença maior não está entre um instrumento e outro, está entre operar vendo e operar sem ver.

E a curetagem, ainda se faz?

Ainda se faz, e deveria ser feita bem menos. Ela perdeu o posto de método diagnóstico por decisão explícita das entidades internacionais da área, e sobrou em um punhado de situações de tratamento.

A curetagem nasceu quando não havia como ver dentro do útero. Funciona bem para uma doença que ocupa toda a superfície do endométrio, e falha justamente onde a ginecologia mais precisa de precisão: na lesão focal, aquela que ocupa um ponto só.

Uma cureta que passa ao lado do pólipo devolve um laudo tranquilizador sobre um útero que não foi olhado.

Em dezembro de 2024, o consenso conjunto FIGO e GCH estabeleceu que os procedimentos intrauterinos feitos às cegas devem ser substituídos progressivamente pela histeroscopia sempre que isso for viável

Em junho de 2026, a AAGL, a ESGE e a GCH publicaram diretriz conjunta que fechou o argumento com metanálise: a histeroscopia teve acurácia diagnóstica maior do que a biópsia às cegas para câncer de endométrio, hiperplasia com e sem atipia, pólipos e miomas submucosos.

O esvaziamento uterino continua indicado em situações de urgência, como sangramento intenso após aborto ou parto. O que saiu de cena não é a cureta, é a curetagem usada como exame, marcada para descobrir o que uma câmera de dois milímetros mostra em tempo real, com biópsia no lugar certo.

Raspagens repetidas podem formar aderências dentro do útero. Em estudo brasileiro com 119 mulheres, 37% tinham aderências seis meses depois da curetagem por aborto (Yela, 2025).

Onde operamos

A histeroscopia diagnóstica é feita em consultório. A cirúrgica pode ser feita em consultório, quando a lesão é pequena e o canal é favorável, ou em centro cirúrgico. Atendemos por credenciamento médico nestes sete hospitais:

  • Hospital Samaritano Paulista
  • Hospital Samaritano Higienópolis
  • Hospital Blanc
  • Hospital Leforte Liberdade
  • Hospital São Luiz Alphaville
  • Hospital São Luiz Morumbi
  • Hospital Alvorada

Atendemos nestes hospitais por credenciamento médico. A cobertura do seu atendimento depende do seu contrato com a operadora, e deve ser confirmada diretamente com ela.

Como funciona com plano de saúde

A histeroscopia diagnóstica e a cirúrgica constam no rol de procedimentos da ANS e, havendo indicação médica, costumam ter cobertura. A autorização depende de cada contrato.

Nossa equipe emite o relatório com justificativa clínica e o código do procedimento, e acompanha o pedido até a resposta. Vale confirmar a liberação alguns dias antes, porque a pendência de autorização é o motivo mais comum de remarcação.

Dúvidas frequentes

Histeroscopia dói? É pior que um exame de toque?

Para muitas mulheres a sensação é de cólica menstrual forte por poucos minutos, diferente do toque. Quem tem o colo fechado, nunca teve parto vaginal ou já está na menopausa tende a sentir mais, e é nesse grupo que a escolha da técnica e da analgesia pesa mais.

Se eu sentir muita dor, o exame para?

Para. As diretrizes são explícitas: você deve ser avisada disso antes, e a equipe interrompe assim que você sinalizar, ou assim que perceber que a dor não deixa você falar.

Precisa de anestesia? Precisa de jejum?

Não de rotina, no exame de consultório. As diretrizes de 2024 não recomendam anestesia local de rotina quando a entrada é por vaginoscopia, e desaconselham sedação consciente de rotina. Anestesia geral continua sendo opção, e você deve ser informada de que existe. Jejum só é necessário quando há sedação ou anestesia geral.

Posso fazer histeroscopia menstruada?

O ideal é evitar. O sangue dentro da cavidade atrapalha a visão e pode obrigar a repetir o exame. Por isso agendamos de preferência para os dias logo depois do fim da menstruação, quando o endométrio está mais fino.

Por quantos dias vou sangrar?

Não existe número fixo em diretriz. O que orientamos é observar a curva: sangramento que diminui dia a dia está dentro do previsto. Sangramento que cresce, encharca um absorvente por hora por duas horas, ou volta mais forte depois de ter parado, pede contato imediato.

Todo pólipo precisa ser retirado?

Não. As diretrizes reconhecem a conduta expectante como opção legítima em situações selecionadas. A decisão considera sintoma, tamanho, idade e estado menopausal. Antes da menopausa, com pólipo pequeno e sem sintoma, acompanhar é caminho aceitável.

Qual a chance do meu pólipo ser câncer?

Na metanálise de 11.204 pacientes, foi de 2,75% no conjunto. Estar na menopausa multiplicou essa chance por 5,63, e sangramento anormal também a aumentou. Fora da menopausa e sem sangramento, o risco é consideravelmente menor.

Precisa de curetagem para tirar um pólipo?

A recomendação atual caminha no sentido oposto. O consenso internacional de 2025 recomenda a substituição gradual dos procedimentos às cegas pela histeroscopia, e a diretriz de 2026 prefere a biópsia dirigida pela visão à coleta às cegas.

Posso voltar ao trabalho no mesmo dia?

Depois da diagnóstica, em geral sim, e muitas voltam no mesmo dia. Depois da cirúrgica, a orientação usual é de um a dois dias de repouso, com ajuste conforme o tipo de trabalho e o que foi feito.

· por Dr. José Ricardo W. Ristow

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação individual.