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Cirurgia de Mioma em São Paulo

Retirar o mioma preservando o útero é possível na maioria dos casos. O que decide a indicação não é o tamanho no laudo, é onde o nódulo está e o que ele provoca.

7 hospitais em São Paulo Equipe especializada Atendimento por credenciamento 13 min de leitura

O que é o mioma

O mioma é um nódulo de músculo liso que nasce de uma única célula da parede do útero e cresce sob o estímulo do estrogênio e da progesterona. Por isso surge na fase reprodutiva, avança devagar e tende a parar depois da menopausa, quando esses hormônios caem.

Ter mioma é comum e não é doença por si. Ele vira problema quando distorce a cavidade onde a menstruação se forma, quando empurra bexiga ou intestino, ou quando sangra o suficiente para consumir o ferro do corpo.

A anemia é o dano silencioso mais frequente: o cansaço vai sendo atribuído à rotina

Em 90 segundos: onde o mioma fica, por que a posição decide mais que o tamanho, e como o útero é preservado.

A diretriz canadense de 2025 abre exatamente por aí: a maior parte das pacientes com mioma não tem sintoma e não requer nenhuma intervenção.

0 a 8a classificação que numera o mioma pela posição
134miomectomias realizadas pela equipe desde 2024
0precisaram ser convertidas em histerectomia

Os tipos: por que a posição decide

O útero é um músculo oco. O sangramento menstrual nasce da camada que reveste a cavidade, por dentro. Um mioma que faz saliência nessa cavidade aumenta a superfície que sangra e impede o útero de se contrair para conter o fluxo, e por isso sangra desproporcionalmente ao seu tamanho. Um mioma que cresce para fora não toca a cavidade e não altera a menstruação.

A classificação FIGO de leiomiomas, de 0 a 8
TipoOnde ficaSintoma típicoConduta habitual
0Inteiramente dentro da cavidade, com pedículoSangramento intenso, anemiaHisteroscopia
1 e 2Submucoso, parte dentro da paredeSangramento, distorção da cavidadeHisteroscopia, às vezes em dois tempos
3Na parede, encostando no endométrioSangramento, cólicaClínico primeiro; miomectomia se persistir
4Todo dentro da paredePeso, cólica, aumento do volumeClínico, miomectomia ou embolização
5, 6 e 7Subseroso, projetado para foraCompressão de bexiga ou intestinoMiomectomia por laparoscopia
8Outros, como o cervicalVariávelIndividualizado, conforme o acesso

Esse número decide a via de acesso e, muitas vezes, se existe indicação. Peça esse número ao seu médico, e peça que o laudo descreva cada nódulo com posição, tamanho e relação com a cavidade, não apenas "útero miomatoso". Esse laudo genérico é o que impede a decisão.

O tamanho importa?

O laudo traz um número em centímetros, o número parece uma nota, e a paciente sai procurando a partir de qual valor se opera. A resposta honesta é que esse valor não existe. Nem as diretrizes americanas nem as canadenses definem um tamanho a partir do qual o mioma tenha indicação cirúrgica por si.

Um nódulo de 2 cm dentro da cavidade uterina, sangrando e causando anemia, tem indicação mais clara do que um de 8 cm apoiado na superfície externa do útero, que não incomoda.

Mioma sem sintoma é acompanhado, não operado, inclusive quando é grande.

Isso não significa que o tamanho seja irrelevante. Ele muda muita coisa, só que não a pergunta "opero ou não". Ele muda o "como": a via de acesso, o preparo antes da cirurgia, o sangramento durante o procedimento e a conduta na gestação seguinte.

O que decide em cada situação
SituaçãoO que decideConduta habitual
2 cm submucoso, com sangramento e anemiaO sangramento e a posiçãoHisteroscopia
4 cm intramural, sem sintomaA ausência de sintomaAcompanhamento
5 cm intramural, com cólica e fluxo intensoO impacto na rotinaClínico primeiro
8 cm subseroso, com peso e compressãoO sintoma de compressãoMiomectomia laparoscópica
8 cm sem qualquer sintomaA ausência de sintomaAcompanhamento
Mioma que cresce depois da menopausaO crescimento fora de épocaInvestigação antes de decidir

Quando a cirurgia é indicada

Sangramento com anemia

Fluxo intenso que consome o ferro do corpo ou prejudica a rotina. O cansaço costuma ser atribuído à rotina antes de alguém medir a ferritina.

Sintoma de compressão

Aumento do volume abdominal, urinar muitas vezes, desconforto para evacuar.

Dor pélvica atribuída ao mioma

Depois de afastadas outras causas, a dor precisa ser explicada pelo nódulo.

Distorção da cavidade

Em quem tenta engravidar ou teve perdas gestacionais com a cavidade comprometida.

Crescimento na pós-menopausa

Nódulo que cresce fora de época pede investigação antes de qualquer decisão.

Falha do tratamento clínico

Quando o sangramento não é controlado ou a anemia não se corrige apesar da reposição de ferro.

O que não indica cirurgia: a existência do mioma, a quantidade de nódulos no laudo, o tamanho isolado. O que indica é a combinação de três coisas: onde ele está, o que ele provoca e o que você espera da sua vida reprodutiva.

Mioma pode virar câncer?

Não. O mioma não se transforma em câncer. O tumor maligno que preocupa aqui, o sarcoma uterino, nasce já maligno do mesmo tecido muscular do útero. Não são duas fases da mesma doença: são duas doenças diferentes que se parecem no exame de imagem.

Mioma e sarcoma: doenças diferentes
Mioma uterinoSarcoma uterino
NaturezaBenigno, nasce de uma única célula muscularMaligno desde a origem
FrequênciaMuito comum na fase reprodutivaRaro: 0,22% das histerectomias por doença benigna
ComportamentoCresce devagar, estabiliza após a menopausaCresce de forma rápida e progressiva
Sinal que chama atençãoSangramento, peso, compressãoCrescimento após a menopausa, dor nova e persistente
Um vira o outro?NãoNão

Num levantamento de 229.536 histerectomias por indicação benigna, o sarcoma uterino apareceu em 0,22% das cirurgias. Raro não quer dizer inexistente, e é por isso que existe uma conduta definida para as situações que levantam suspeita: nódulo que cresce depois da menopausa, sangramento na pós-menopausa, crescimento rápido durante tratamento que deveria reduzir o nódulo, dor pélvica nova e persistente, características atípicas na imagem.

Vale dizer o que não está nessa lista. Ter muitos miomas não está. Ter um mioma grande não está. Crescer devagar durante a vida reprodutiva não está, porque é o comportamento esperado.

Esses três achados povoam a busca da internet e não são, por si, sinal de malignidade

A diferenciação antes da cirurgia é feita por probabilidade, não por certeza. A ressonância reduz muito a incerteza, sensibilidade de 0,90 e especificidade de 0,96, sem eliminá-la.

Tratar sem tirar o útero

Na maioria dos casos, dá para tratar o mioma preservando o útero. A histerectomia é uma das opções disponíveis, não o destino obrigatório de quem tem mioma.

As opções que preservam o útero
OpçãoO que fazCompatível com gestaçãoLimite
MiomectomiaRetira o nóduloSim, é a via de escolhaNovos nódulos podem surgir
EmbolizaçãoBloqueia a irrigação por cateterNão é a indicação preferencialDados de fertilidade insuficientes
RadiofrequênciaDestrói o nódulo por calorDados insuficientesPoucos estudos comparativos
DIU hormonalReduz o sangramento; não trata o nóduloNão, durante o usoExige cavidade preservada
Antagonista oral do GnRHReduz o sangramento enquanto usadoNão, durante o usoSintoma volta ao suspender
HisterectomiaRetira o úteroNãoDecisão sem volta

No ensaio randomizado que comparou miomectomia e embolização, a miomectomia esteve à frente em qualidade de vida aos 2 anos. Aos 4 anos essa vantagem perdeu significância estatística, e o que separou os grupos foi a necessidade de novo procedimento: 24% no grupo da embolização contra 13% no da miomectomia.

O acetato de ulipristal, que durante anos aparecia como primeira linha no tratamento clínico, teve o uso suspenso em março de 2025 por casos de insuficiência hepática. Quem ocupou o lugar foram os antagonistas orais do GnRH com terapia associada.

Engravidar depois da miomectomia

Sim, é possível, e preservar essa possibilidade é justamente o motivo de existir a miomectomia. Sobre o tempo de espera, a resposta verdadeira incomoda um pouco: não existe prazo estabelecido por evidência.

Uma revisão sistemática que reuniu 3.852 mulheres concluiu, com todas as letras, que os dados são insuficientes para recomendar um intervalo mínimo. Os prazos que circulam vêm da prática, não de ensaio clínico, e os serviços divergem: cerca de um terço orienta esperar de 3 a 6 meses, outro terço de 6 a 12 meses.

O efeito de cada tipo sobre a fertilidade
Tipo do miomaO que se espera na fertilidadeConduta em quem quer engravidar
Submucoso (0, 1 e 2)Interfere na implantação e no sangramentoRessecção por histeroscopia antes de tentar
Intramural encostando (3)Influência discutidaDecisão individual
Intramural (4)Costuma não interferir quando pequenoAcompanhamento; cirurgia se volumoso
Subseroso (5, 6 e 7)Em geral não interfereOperar apenas por sintoma de compressão

Operar um mioma que não atrapalha troca um problema inexistente por uma cicatriz real.

A via de parto é decidida caso a caso, conforme quanto da parede do útero foi aberta e como foi reconstruída. Leve o relatório cirúrgico ao seu obstetra: ele descreve exatamente isso

Não existe um percentual de gravidez que valha para todas depois da miomectomia.

Histerectomia: quando entra, e três mitos

A indicação por doença benigna aparece em mioma sintomático que não respondeu ao tratamento clínico, adenomiose com dor e sangramento, sangramento refratário e prolapso uterino. Nenhuma dessas indicações é automática. Antes de marcar, conferimos o que ainda pode ser tentado.

Sobre a via, a revisão Cochrane de 2023 é direta: quando é tecnicamente possível, a via vaginal vem antes da abdominal; quando a vaginal não é possível, a laparoscópica vem antes da abdominal. A via aberta passou a ser a última escolha, não a primeira.

Mito 1: tirar o útero entra na menopausa

Não, desde que os ovários fiquem. Quem entra em menopausa é o ovário, não o útero. A menstruação para no dia da cirurgia; os hormônios continuam.

A resposta honesta tem uma segunda parte: a menopausa chega em média 1,9 ano mais cedo depois da histerectomia com ovários preservados, provavelmente por alteração na irrigação. É informação para saber, não motivo para não operar quando há indicação.

Mito 2: a histerectomia piora o sexo

Uma metanálise com 32 estudos e 4.054 pacientes não encontrou mudança significativa na função sexual global, qualquer que fosse a via. E derrubou outra crença: manter o colo do útero não se associou a diferença na função sexual, a decisão sobre o colo se resolve por critério técnico e oncológico.

Um achado que muda conduta: operar sem retirar os ovários se associou a melhora maior de lubrificação e de orgasmo. Ovário só sai com indicação médica.

Mito 3: preciso continuar fazendo preventivo

Mioma é doença benigna. Com o colo retirado e sem história de lesão de alto grau, o rastreamento do colo pode ser encerrado. Mas atenção: parar o preventivo não significa parar de ir ao ginecologista.

Recuperação por via

A recuperação varia mais pela via do que pelo tamanho do nódulo.

Retorno às atividades por procedimento
ProcedimentoAnestesiaRetorno às atividades leves
Miomectomia histeroscópicaSedação ou raquianestesia2 a 5 dias
Miomectomia por laparoscopiaGeral2 a 3 semanas
Ablação por radiofrequênciaSedação ou geralAté 2 semanas na maioria dos estudos
EmbolizaçãoSedaçãoCólica intensa nas primeiras horas, com analgesia programada
HisterectomiaGeral3 a 6 semanas

Riscos que precisam estar ditos antes: sangramento com necessidade de transfusão, infecção, lesão de órgão vizinho, aderências e recidiva. A conversão para histerectomia é um risco previsto em toda miomectomia, e por isso entra no consentimento.

Se houver anemia, ela é corrigida antes. A melhora do cansaço costuma vir em 2 a 4 semanas de reposição de ferro, a hemoglobina normaliza em 6 a 12 semanas, e o estoque medido pela ferritina se recompõe em 3 a 6 meses.

Onde operamos

Atendemos por credenciamento médico nestes sete hospitais:

  • Hospital Samaritano Paulista
  • Hospital Samaritano Higienópolis
  • Hospital Blanc
  • Hospital Leforte Liberdade
  • Hospital São Luiz Alphaville
  • Hospital São Luiz Morumbi
  • Hospital Alvorada

Atendemos nestes hospitais por credenciamento médico. A cobertura do seu atendimento depende do seu contrato com a operadora, e deve ser confirmada diretamente com ela.

Como funciona com plano de saúde

A miomectomia por histeroscopia e por videolaparoscopia consta no rol de procedimentos da ANS e, havendo indicação médica, costuma ter cobertura. Em dezembro de 2025 o SUS incorporou o ácido tranexâmico e o DIU hormonal para leiomioma com sangramento intenso.

Nossa equipe emite o relatório com justificativa clínica e o código do procedimento, e acompanha o pedido até a resposta.

Dúvidas frequentes

Mioma precisa operar mesmo sem sintoma?

Em geral, não. As diretrizes americanas e canadenses orientam acompanhar o mioma assintomático. As exceções pedem avaliação individual, como crescimento na pós-menopausa ou distorção da cavidade em quem investiga infertilidade.

Mioma de 8 cm é grande? Precisa operar?

É volumoso, e volume não é sinônimo de indicação. Se for subseroso e mudo, o acompanhamento é conduta aceita. Se causa compressão, a cirurgia entra em discussão.

Mioma pequeno pode dar muito sangramento?

Pode, e é o caso mais frequente de todos: o submucoso, que faz saliência dentro da cavidade e impede o útero de conter o fluxo.

Mioma pode virar câncer?

A transformação de um mioma benigno em sarcoma não é o mecanismo aceito. O sarcoma uterino é outro tumor, maligno desde a origem, que se parece com o mioma na imagem.

Mioma sempre tira o útero?

Não. A retirada do útero é uma das opções e costuma ser reservada a quem não deseja gestação e a situações em que as alternativas não resolvem.

Tenho vários miomas, tira todos de uma vez?

Nem sempre. Retiramos os que explicam o sintoma e os que comprometem a cavidade. Nódulos pequenos e mudos, em posição que exigiria abrir mais o útero, podem ficar.

Quanto tempo esperar para engravidar depois da miomectomia?

Não existe prazo definido por evidência. A revisão de 2021 concluiu que os dados são insuficientes para recomendar um intervalo mínimo. O prazo do seu caso depende da profundidade da sutura no útero.

Mioma volta depois da cirurgia?

A miomectomia retira os nódulos existentes e não impede que novos apareçam. É um dos pontos a pesar na escolha entre as técnicas.

Cirurgia de mioma sem cortar a barriga existe?

Existe para os miomas submucosos, retirados por histeroscopia pelo canal do colo. Para os demais, a via minimamente invasiva usa incisões de poucos milímetros.

· por Dra. Lorena Cerutti

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação individual.